Riscos e incertezas na decisão de inovar das micro e pequenas empresa Outros Idiomas

ID:
33210
Resumo:
A decisão de inovar envolve riscos e incertezas e está entre as difíceis decisões que as empresas precisam tomar em sua trajetória de evolução organizacional. Nesse contexto, as micro e pequenas empresas (MPEs), por deterem limitações financeiras e de sua própria estrutura, frequentemente se veem restringidas em suas ações e se tornam organizações pouco inovadoras. Diante disso, uma das alternativas que se apresentam a essas empresas é o modelo de inovação aberta, pautado na utilização do conhecimento externo como forma de agregar valor à organização, uma vez que o aprendizado e a interação mútua entre uma empresa e seus diversos agentes, propiciados pelo modelo, permitem compartilhar riscos e incertezas e podem conferir as competências necessárias para inovar de maneira dinâmica e contínua. Neste artigo, pretende-se analisar como o uso do modelo de inovação aberta por parte de MPEs pode reduzir os riscos e as incertezas presen- tes na decisão de inovar, com base na análise dos fatores de risco de Hammond, Keeney e Raiffa (1999) para verificar as incertezas, os resultados, as chances de ocorrência e consequências da decisão tomada. Trata-se de um estudo qualita- tivo, de caráter exploratório, com uso de entrevistas semiestruturadas e análise bibliográfica. Os resultados apontam que as MPEs, ao passarem por momentos críticos em seu desempenho organizacional, buscam na inovação uma alternati- va de sobrevivência ante os novos parâmetros que lhes são impostos. Entretanto, essas empresas apresentam como incertezas associadas à decisão de inovar a falta de know-how e a insuficiência de capital para arcar com o custo da ino- vação. No intuito de reduzir essas incertezas, buscam, nas fontes externas de conhecimento, o suporte financeiro, tecnológico, de mercado e competitivo que lhes permita inovar e alcançar vantagens competitivas sustentáveis, tendo como resultados desse formato de inovação a superação de suas incertezas, o lança- mento de inovações de produto, serviço e processo, a melhoria de seu potencial competitivo e a formação de um processo de inovação. Dessa forma, pode-se afir- mar que o uso do modelo de inovação aberta não só reduz os riscos e as incerte- zas relacionados à inovação, mas também contribui para que essas organizações inovem e melhorem seu desempenho organizacional.
Citação ABNT:
SILVA, G.; DACORSO, A. L. R. Riscos e incertezas na decisão de inovar das micro e pequenas empresa. Revista de Administração Mackenzie, v. 15, n. 4, p. 229-255, 2014.
Citação APA:
Silva, G., & Dacorso, A. L. R. (2014). Riscos e incertezas na decisão de inovar das micro e pequenas empresa. Revista de Administração Mackenzie, 15(4), 229-255.
DOI:
10.1590/1678-69712014/administracao.v15n
Link Permanente:
http://www.spell.org.br/documentos/ver/33210/riscos-e-incertezas-na-decisao-de-inovar-das-micro-e-pequenas-empresa/i/pt-br
Tipo de documento:
Artigo
Idioma:
Português
Referências:
Alves, C. A.; Tiergarten, M.; & Araújo, J. P. J. (2008). Vantagem competitiva a partir de uma abordagem de redes: estudo de caso na rede Graphia. Revista de Administração da Unimep, 6(3), 142-163.

Chesbrough, H. (2012). Inovação aberta: como criar e lucrar com a tecnologia (L. C. de Q. Faria, Trad.; J. Venturini, Rev. Téc.). Porto Alegre: Bookman. (Obra original publicada em 2003).

Chesbrough, H. (2012). Modelos de negócios abertos: como prosperar no novo cenário da inovação (R. Rubenich, Trad.; Jonas Cardona Venturini, Rev. Téc). Porto Alegre: Bookman. (Obra original publicada em 2006).

Clemen, R. T. (1996). Making hard decisions: an introduction to decision analysis. 2nd ed. Belmont, CA: Duxbury Press.

Collis, J.; & Hussey, R. (2005). Pesquisa em administração. 2a ed. Porto Alegre: Bookman.

Dill, W. R. (1958). Environment as an influence on managerial autonomy. Administrative Science Quarterly, 2(4), 409-443.

Easterby-Smith, M.; Thorpe, R.; & Lowe, A. (1999). Pesquisa gerencial em administração. São Paulo: Pioneira.

Eisenhardt, K. M. (1989). Building theories from case study research. Academy of Management, 14(4), 532-550.

Grapeggia, M.; Lezana, A. G. R.; Ortigara, A. Â.; & Santos, P. C. F. (2011). Fatores condicionantes de sucesso e/ou mortalidade de micro e pequenas empresas em Santa Catarina. Produção, 21(3), 444-455.

Hagedoorn, J.; & Wang, N. (2012). Is there complementarity or substitutability between internal and external R&D strategies? Research Policy, 41(6), 1072-1083.

Hammond, J. S.; Keeney, R. L.; & Raiffa, H. (1999). Decisões inteligentes: como avaliar alternativas e tomar a melhor decisão. Rio de Janeiro: Campus.

Heger, T.; & Rohrbeck, R. (2012). Strategic foresight for collaborative exploration of new business fields. Technological Forecasting & Social Change, 79(5), 819-831.

Howard, R. A. (1988, June). Decision analysis: practice and promise. Management Science, 34(6), 679-695.

Ito, N. C.; Hayashi, P. J.; Gimenez, F. A. P.; & Fensterseifer, J. E. (2012). Valor e vantagem competitiva: buscando definições, relações e repercussões. Revista de Administração Contemporânea, 16(2), 290-307.

Johannessen, J. A.; Olsen, B.; & Olaisen, J. (1999). Aspects of innovation theory based on knowledge-management. International Journal of Information Management, 19(2), 121-139.

Kafouros, M. I.; & Forsans, N. (2012). The role of open innovation in emerging economies: do companies profit from the scientific knowledge of others? Journal of World Business, v. 47, 362-370.

Lecocq, X.; & Demil, B. (2006). Strategizing industry structure: the case of open systems in a Low-tech industry. Strategic Management Journal, 27(9), 891-898.

Lee, S.; Park, G.; Yoon, B.; & Park, J. (2010). Open innovation in SMEs: an intermediated network model. Research Policy, 39(2), 290-300.

Lindegaard, S. (2011). A revolução da inovação aberta: princípios básicos, obstáculos e habilidades de liderança. São Paulo: Évora.

Maçaneiro, M. B.; & Cherobim, A. P. M. S. (2011). Fontes de financiamento à inovação: incentivos e óbices às micro e pequenas empresas – estudo de casos múltiplos no estado do Paraná. Organizações & Sociedade, 18(56), 57-75.

Martins, G. A. (2008). Estudo de caso: uma estratégia de pesquisa. 2a ed. São Paulo: Atlas.

Martins, G. A.; & Theóphilo, C. R. (2007). Metodologia da investigação científica para ciências sociais. São Paulo: Atlas.

Mintzberg, H.; Raisinghani, D.; & Théoret, A. (1976). The structure of “unstructured” decision processes. Administrative Science Quarterly, 21(2), 246-275.

Parida, V.; Westerberg, M.; & Frishammar, J. (2012). Inbound open innovation activities in high-tech SMEs: the impact on innovation performance. Journal of Small Business Management, 50(2), 283-309.

Pavão, Y. M. P.; Sehnem, S.; & Hoffmann, V. E. (2011). Análise dos recursos organizacionais que sustentam a vantagem competitiva. Revista de Administração Contemporânea, 46(3), 228-242.

Pénin, J.; Hussler, C.; & Burger-Helmchen, T. (2011). New shapes and new stakes: a portrait of open innovation as a promising phenomenon. Journal of Innovation Economics, 1(7), 11-29.

Robertson, P. L.; Casali, G. L.; & Jacobson, D. (2012). Managing open incremental process innovation: absorptive capacity and distributed learning. Research Policy,v. 41, 822-832.

Russo, J. E.; & Schoemaker, P. J. H. (1993). Tomada de decisões: armadilhas (N. Montingelli Jr.; Trad.). São Paulo: Saraiva. (Obra original publicada em 1989).

Salunke, S.; Weerawardena, J.; & McColl-Kennedy, J. R. (2011). Towards a model of dynamic capabilities in innovation-based competitive strategy: insights from project-oriented service firms. Industrial Marketing Management, v. 40, 1251-1263.

Saunders, M.; Lewis, P.; & Thornill, A. (2000). Research methods for business students. 2nd ed. Harlow, England: Pearson Education.

Vanhaverbeke, W.; Vermeersch, S.; & De Sutter, S. (2012). Open innovation in SMEs: how can small companies and start-ups benefit from open innovation strategies? Flanders: Vlerick Leuven Gent Management School.

Weerawardena, J.; & Mavondo, F. T. (2011). Capabilities, innovation and competitive advantage. Industrial Marketing Management, v. 40, 1220-1223.

Woerter, M.; & Roper, S. (2010). Openness and innovation: home and export demand effects on manufacturing innovation: panel data evidence for Ireland and Switzerland. Research Policy, 39, 155-164.

Yin, R. K. (2001). Estudo de caso: planejamento e métodos. 2a ed. Porto Alegre: Bookman.

Yu, A. S. O. (2011). Estruturação da decisão. In A. S. O. Yu (Coord.). Tomada de decisão nas organizações: uma visão multidisciplinar. São Paulo: Saraiva.