Conservadorismo contábil e o custo do crédito bancário no Brasil

ID:
9644
Resumo:
Esta pesquisa investiga se a adoção de práticas contábeis conservadoras leva à redução no custo do crédito bancário das empresas no Brasil. O estudo se baseia em uma amostra de 1.300 empresas e de 813 mil contratos de crédito, no período de 2000 a 2009. São utilizados modelos que associam o custo do crédito a medidas de conservadorismo e a um conjunto de variáveis de controle. Não foram obtidas evidências de relação estatisticamente significante entre as medidas de conservadorismo e as taxas de juros das operações crédito, confirmando-se a hipótese de pesquisa. O ambiente institucional brasileiro de fraca proteção legal dos credores e de baixa demanda por qualidade da informação contábil restringe os benefícios gerados pelo conservadorismo e faz com que os credores não estimulem a adoção de práticas conservadoras pelas empresas, por meio da redução nas taxas de juros. Como as empresas não percebem benefícios associados ao reporte de números conservadores, a utilização de tais práticas é restrita no Brasil.
Citação ABNT:
BRITO, G. A. S.; MARTINS, E. Conservadorismo contábil e o custo do crédito bancário no Brasil. Brazilian Business Review, v. 10, n. 1, p. 27-48, 2013.
Citação APA:
Brito, G. A. S., & Martins, E. (2013). Conservadorismo contábil e o custo do crédito bancário no Brasil. Brazilian Business Review, 10(1), 27-48.
Link Permanente:
http://www.spell.org.br/documentos/ver/9644/conservadorismo-contabil-e-o-custo-do-credito-bancario-no-brasil/i/pt-br
Tipo de documento:
Artigo
Idioma:
Português
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